BIENAL DE LUANDA REAFIRMA COMPROMISSO COM A PAZ EM ÁFRICA – SITA JOSÉ

Luanda – O coordenador nacional da Bienal de Luanda- Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África, Sita José, reafirmou o compromisso de Angola em contribuir para a promoção da cultura de paz em África.

Em entrevista à ANGOP, o diplomata fez o lançamento da 2ª Bienal de Luanda, que já conta com dois presidentes africanos confirmados, como convidados: Félix Tshisekedi, da RDC, e Denis Sassou Nguesso, do Congo.

Eis a íntegra:

ANGOP – Angola prepara-se para acolher a 2ª edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Qual é a importância que atribui ao facto de o país acolher o evento, em Outubro deste ano?

Sita José (SJ) – Como sabem, o Presidente da República, João Lourenço, efetuou uma visita à sede da Unesco, em Paris, em 2018, que culminou com um compromisso por ele assumido, de Angola vir albergar a 1ª da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África. Mais tarde, a 18 de Dezembro, Angola e a Unesco assinaram um convénio para a organização de 2 edições da Bienal de Luanda, nomeadamente a de 2019, que foi um grande sucesso e a de 2021, cuja realização estamos a preparar.

Portanto, o acolhimento da 2ª edição insere-se neste compromisso de Angola em contribuir para a promoção de uma cultura de paz no continente africano, o que deverá também significar a disponibilidade de Angola ajudar a alcançar os objectivos traçados pelos líderes Africanos.

Como sabemos, o objectivo da Bienal consiste em fortalecer o Movimento Pan-Africano para a Cultura da Paz e não Violência. A nossa base é o compromisso de parceria que deve ser assumido por múltiplos actores, como governos, sociedade civil, artistas, desportistas, agentes do sector privado, as comunidades científicas, bem como as organizações não governamentais, entre outros. Assim, sequencialmente, de 2 em 2 anos, há este compromisso estratégico entre a União Africana, a Unesco e o Governo de Angola, no sentido de consolidar o amplo movimento que vá, cada vez mais, conseguindo congregar a adesão destes múltiplos actores e parceiros.

Deste modo, receber esta segunda edição da Bienal da Paz representa para Angola, um compromisso forte na procura de uma paz duradoura para África, que sirva de suporte para o desenvolvimento económico e social e o bem-estar das populações africanas.

ANGOP – Estamos há 4 meses da realização da 2ª edição da Bienal de Luanda, pode falar-nos da agenda do evento? Qual é o balanço que faz dos preparativos para este evento até ao momento?

SJ – Neste momento entrarmos na fase mais decisiva. Na segunda-feira, 14, teremos uma reunião entre a Comissão Nacional Multissectorial encarregue de preparar a Bienal de Luanda, a UNESCO e a União Africana, para determinar, com clareza, os elementos que deverão comportar o programa final da Bienal deste ano.

O que posso dizer é que já temos praticamente definido o conjunto de sub-temas. Como sabemos, o tema principal da Bienal deste ano, está particularmente alinhado com o tema adoptado para 2021, pela União Africana, que é, Artes, Cultura e Património – Alavancas para a Construção da África que Queremos”.

Assim, com base nisso, o programa indicativo, até agora consertado, vai ser movido à base de 4 eixos fundamentais. Haverá o eixo do Diálogo Intergeracional entre Líderes e Jovens, para isso contamos aqui ter estadistas de alto nível.

Haverá ainda um Fórum Temático de Boas Práticas, bem como o lançamento da chamada Aliança de Parceiros para a Cultura de Paz em África, tudo isto alimentado com a demonstração dos valores das artes e manifestações culturais, no âmbito do último eixo da Bienal que será o Festival de Culturas.

O diálogo intergeracional entre líderes e os jovens, será realizado com a presença de, pelo menos, 150 jovens provenientes de todos os países do continente africano e das demais diásporas. Neste diálogo, os jovens que serão representados por um rapaz e uma rapariga. Os demais jovens poderão ter a garantia da sua participação no formato virtual, através das plataformas digitais e redes sociais.

Quanto ao fórum temático e boas práticas, vale dizer que se trata de um painel que vai juntar detentores ou promotores de soluções e de boas práticas e parceiros interessados na promoção da paz e do desenvolvimento sustentável em África. O paradigma adoptado pela União Africana, a UNESCO e Angola, para esta 2ª edição da Bienal de Luanda, ao contrário da primeira, é a valorização de acções práticas, mensuráveis, de modo que a Bienal possa ser assumida como tendo produzido benefícios e não apenas discussões teóricas ou meramente académicas. O que pretendemos é produzir um impacto real na população, em termos de concretização dos objectivos traçados para a Bienal.

Queremos que estes projectos reunidos sejam a nível local, a nível nacional, a nível sub-regional possam constituir uma pauta de projectos emblemáticos, transversais e que possibilitem a sua mensuração no domínio da sua implementação com impacto positivo sobre a vida das comunidades, na construção de uma paz duradoura, o que só assim fará sentido falar-se num fórum direccionado à valorização das boas práticas.

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